A certa distância deles estava pastando uma grande manada de porcos.
1. Introdução
Um único detalhe de cenário pode carregar mais significado teológico do que aparenta à primeira leitura. Mateus 8:30 é exatamente esse tipo de versículo — uma frase curta, quase descritiva, que na superfície parece apenas situar geograficamente a cena. Mas cada elemento que o evangelista escolhe registrar tem peso: a distância, o número dos animais, a espécie escolhida.
A presença de uma grande manada de porcos naquele território não é um detalhe neutro. Para um leitor judeu do primeiro século, a menção dos porcos sinalizava imediatamente: estamos em terra gentílica, em um ambiente culturalmente distante das leis de Moisés. Esse dado ambiental prepara o terreno para o que está prestes a acontecer — e ajuda o leitor a entender por que o milagre de Jesus nesse lugar tem dimensões que ultrapassam a libertação de dois homens possuídos.
2. Contexto Histórico e Cultural
A região dos gadarenos fazia parte da Decápolis — uma liga de dez cidades helenizadas sob influência greco-romana, localizada principalmente a leste do Rio Jordão e do Mar da Galileia. Nessa região, as práticas judaicas não eram observadas, e a criação de porcos era comum e economicamente relevante. Para os romanos e para a população gentílica em geral, a carne suína era um alimento básico e os porcos representavam um bem de valor considerável.
Para os judeus, no entanto, o porco era o símbolo mais imediato de impureza alimentar. Levítico 11:7-8 proibia explicitamente o consumo de sua carne e o contato com seu corpo morto. Ao longo dos séculos, o porco se tornou um marcador cultural da separação entre Israel e as nações — ao ponto de, durante a perseguição de Antíoco Epifânio no século II a.C., a recusa em comer carne de porco ser usada como teste de lealdade à fé judaica.
A manada descrita como "grande" sugere uma operação de criação de porte significativo, provavelmente pertencente a proprietários locais com capacidade econômica relevante. Marcos 5:13 especifica que eram cerca de dois mil porcos — um número que dimensiona tanto o impacto econômico do que está prestes a acontecer quanto a escala do poder dos demônios que habitavam os dois homens.
O fato de a manada estar "a certa distância" indica que o encontro entre Jesus e os homens possuídos ocorreu em uma área próxima, mas com o rebanho visível ao fundo — um detalhe que o narrador preserva porque ele será decisivo nos versículos seguintes.
3. Análise Teológica do Versículo
"A certa distância"
Essa expressão situa a cena em um ambiente rural, afastado do centro imediato da ação. A distância indica separação entre os personagens principais e o rebanho, e pode simbolizar a separação entre o povo judeu e as práticas gentílicas — já que os porcos eram considerados animais impuros segundo a Lei judaica. Esse afastamento geográfico reforça o contexto culturalmente distinto em que Jesus está atuando.
"Uma grande manada de porcos"
Os porcos eram animais considerados impuros segundo a lei levítica (Levítico 11:7-8). A presença de uma grande manada confirma que o evento ocorre em região gentílica — provavelmente a Decápolis —, onde as leis alimentares judaicas não eram observadas. Esse cenário destaca as tensões culturais e religiosas entre judeus e gentios. O grande número de animais também sublinha a escala do evento e o impacto econômico que ele terá sobre a comunidade local, já que os porcos representavam um bem valioso para os gentios.
"Estava pastando"
O ato de pastar descreve uma atividade cotidiana e rotineira, que contrasta diretamente com os eventos extraordinários que estão prestes a se desenrolar. Esse detalhe mundano ressalta a natureza repentina e dramática do milagre que Jesus está prestes a realizar. O cenário de normalidade — animais pastando tranquilamente ao fundo — funciona como pano de fundo silencioso de uma cena que está prestes a ser radicalmente interrompida.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
1. Jesus A figura central do Evangelho de Mateus, que realiza milagres e ensina com autoridade. Neste episódio, sua presença em território gentílico demonstra que o seu ministério não reconhece as fronteiras impostas pela separação cultural entre judeus e não judeus.
2. Gadara A região onde o evento ocorre, associada ao território gentílico da Decápolis. Gadara era uma cidade helenizada, com costumes e práticas distantes das observâncias judaicas — o que explica a presença das manadas de porcos.
3. Os Homens Possuídos Dois homens habitando entre os sepulcros, possuídos por demônios. Representam o estado de destruição total a que o mal pode conduzir um ser humano — e a necessidade urgente de intervenção divina.
4. Os Porcos Uma grande manada de animais impuros segundo a lei judaica, cuja presença confirma o ambiente gentílico e cuja função na narrativa se tornará central nos versículos seguintes.
5. Os Demônios Seres espirituais em oposição a Deus, que reconhecem a autoridade de Jesus e interagem com ele. A presença da manada de porcos será relevante para o pedido que eles estão prestes a fazer.
5. Pontos de Ensino
A autoridade de Jesus A autoridade de Jesus é reconhecida tanto no âmbito espiritual quanto no físico. Esse texto demonstra o seu poder sobre as forças demoníacas, confirmando a sua natureza divina. A manada de porcos ao fundo não é apenas um detalhe de cenário — ela será o palco da demonstração dessa autoridade.
O contexto cultural importa para a interpretação Compreender a visão judaica sobre os porcos como animais impuros ajuda a perceber o significado do pedido que os demônios farão. Esse detalhe sublinha a separação entre práticas judaicas e gentílicas e coloca Jesus exatamente no cruzamento dessas duas culturas.
A realidade da guerra espiritual A presença dos demônios e a sua interação com Jesus lembram que a batalha espiritual é real. O crente é chamado à vigilância e à dependência do poder de Cristo — não como abstração religiosa, mas como realidade prática do cotidiano.
A compaixão e a libertação como missão A disposição de Jesus em se aproximar dos homens possuídos revela tanto a sua compaixão quanto o seu propósito de libertar os que estão oprimidos pelo mal. Isso encoraja o crente a buscar a intervenção de Jesus nas suas próprias lutas, sem considerar que determinadas situações estão além do alcance divino.
O testemunho transformado A transformação dos homens possuídos funcionará como testemunho poderoso para a comunidade ao redor. As experiências pessoais com Cristo têm o mesmo potencial: o que acontece com uma vida transformada pelo evangelho é em si mesmo um anúncio.
6. Aspectos Filosóficos
A presença da manada de porcos "a certa distância" introduz uma questão filosófica sobre a relação entre o ordinário e o sagrado — ou, mais precisamente, entre o cotidiano e a irrupção do extraordinário. Os porcos pastam. O dia segue seu curso normal. E é nesse cenário de rotina que o sobrenatural irrompe sem aviso.
Essa estrutura narrativa é relevante porque desafia a ideia de que os momentos de intervenção divina ocorrem apenas em ambientes solenes, preparados ou religiosos. Jesus não está no Templo, não está em uma sinagoga, não está em território judaico. Está em uma região gentílica, perto de animais considerados impuros, diante de dois homens que a sociedade havia descartado. O extraordinário invade o ordinário sem pedir permissão — e o faz justamente nos lugares onde menos se esperaria.
Há também uma tensão filosófica entre impureza e presença. Na lógica levítica, o contato com o impuro tornava o puro impuro. Mas em toda a narrativa de Jesus, essa lógica se inverte: a sua presença não é contaminada pelo impuro — ela purifica e transforma. Os porcos, os sepulcros, os demônios, o território gentílico — todos esses elementos de impureza ritual compõem o cenário, e nenhum deles restringe a atuação de Jesus. Isso aponta para uma compreensão radicalmente diferente de santidade: não como separação defensiva do impuro, mas como poder transformador que vai até ele.
Esse modelo tem implicações diretas para a ética cristã: a santidade não se preserva pelo isolamento, mas se manifesta pelo engajamento. O crente que recua diante do que considera impuro ou indigno pode estar operando com uma lógica que o próprio Jesus contrariou repetidamente.
7. Aplicações Práticas
Reconhecer Deus no ordinário A manada pastando tranquilamente ao fundo é um lembrete de que Deus não precisa de cenários espetaculares para agir. A intervenção divina frequentemente ocorre no meio da rotina — no trabalho, nas relações cotidianas, nas situações que parecem mundanas. Estar atento a essa possibilidade é uma forma de fé ativa.
Não definir limites para o alcance de Jesus Jesus foi a um lugar onde um judeu normalmente não iria, entre pessoas que um rabino normalmente não atenderia. O crente que define categorias de pessoas ou situações "fora do alcance" do evangelho pode estar impondo limites que Jesus nunca impôs. O evangelho vai até onde a necessidade está — e o discípulo é chamado a fazer o mesmo.
Entender o peso cultural do contexto bíblico A presença dos porcos muda completamente o significado da cena para um leitor judeu do primeiro século. Aprender a ler a Bíblia com atenção ao contexto cultural do texto é uma prática que aprofunda a compreensão e evita interpretações superficiais. Isso exige estudo, humildade intelectual e disposição para questionar leituras prontas.
Levar a sério a guerra espiritual sem obsessão O texto confirma a realidade das forças espirituais malignas — mas o foco da narrativa não está nos demônios, e sim em Jesus e nos homens libertados. A guerra espiritual é real, mas não deve consumir a atenção do crente de forma que ele perca de vista o protagonista: Cristo. O equilíbrio entre vigilância e confiança é a postura madura diante dessa realidade.
Compartilhar o que Cristo fez A transformação que está prestes a acontecer com os dois homens será um testemunho inegável. O crente que viveu alguma forma de libertação ou transformação tem uma história concreta para contar — e histórias concretas são mais persuasivas do que argumentos abstratos.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
1. Como a presença de uma grande manada de porcos neste relato destaca as diferenças culturais e religiosas entre judeus e gentios?
Os porcos eram o marcador mais imediato de impureza na tradição judaica. Sua presença em grande número sinalizava, sem ambiguidade, que Jesus estava em território onde as leis de Moisés não eram observadas. Para o leitor judeu, esse dado não era neutro — ele posicionava o episódio em um ambiente culturalmente estrangeiro. Ao agir com plena autoridade nesse contexto, Jesus demonstra que o seu poder não é limitado por fronteiras religiosas ou culturais. Isso amplia o horizonte do evangelho: a autoridade de Cristo não é patrimônio de uma cultura específica — ela é universal.
2. De que maneiras a interação de Jesus com os homens possuídos demonstra a sua autoridade sobre as forças espirituais?
Jesus não debate com os demônios, não realiza rituais prolongados, não pede ajuda. A interação é marcada por uma assimetria total: os demônios gritam, imploram, negociam — Jesus responde com autoridade soberana. Mesmo o simples fato de os demônios pedirem permissão a Jesus para entrar nos porcos revela que eles reconhecem que não podem agir sem o seu consentimento. Essa dinâmica confirma que a autoridade de Jesus sobre o mundo espiritual não é disputada nem relativa — é absoluta.
3. Como a compreensão da visão judaica sobre os porcos como animais impuros aprimora a interpretação desta passagem?
Sem esse contexto, a presença dos porcos parece um detalhe secundário. Com ele, a cena ganha profundidade: Jesus está em um ambiente de impureza ritualística múltipla — território gentílico, sepulcros, animais proibidos pela Lei. E age em todos esses contextos com a mesma autoridade. Isso não é um descuido narrativo — é uma afirmação teológica deliberada de que a santidade de Jesus não é ameaçada pela impureza ao redor, mas transforma o que toca. Ler a Bíblia com atenção ao contexto cultural é ler com mais profundidade, não apenas com mais informação.
4. O que este texto ensina sobre a realidade da guerra espiritual, e como aplicar esse entendimento na vida diária?
A cena deixa claro que o conflito espiritual é real, que seres malignas têm capacidade de destruição, e que essa dimensão da realidade não pode ser ignorada. Na prática, isso significa cultivar vida de oração regular, conhecer as Escrituras como base para o discernimento, participar de comunidade cristã que ofereça suporte e prestação de contas, e reconhecer quando determinadas situações exigem intervenção espiritual direta. O equilíbrio necessário é não reduzir tudo à guerra espiritual — o que leva ao misticismo excessivo — nem ignorá-la completamente — o que leva ao racionalismo que empobrece a fé.
5. Como a transformação dos homens possuídos pode inspirar o crente a compartilhar o seu próprio testemunho da obra de Cristo?
Os dois homens não produziram argumentos filosóficos para convencer a comunidade local. A transformação visível das suas vidas foi o testemunho. O mesmo princípio vale hoje: uma história de transformação concreta — superação de vício, restauração de relacionamentos, libertação de padrões destrutivos — carrega uma força persuasiva que o argumento abstrato não tem. Compartilhar o testemunho pessoal não exige formação teológica, apenas honestidade sobre o que Cristo fez. E isso está ao alcance de qualquer pessoa que tenha de fato encontrado Jesus.
9. Conexão com Outros Textos
Marcos 5:1-20 e Lucas 8:26-39
Os relatos paralelos de Marcos e Lucas narram o mesmo episódio com detalhes adicionais. Marcos especifica que a manada era de aproximadamente dois mil porcos — dado que dimensiona a escala do evento. Lucas detalha o estado de degradação do homem possuído antes do encontro com Jesus. Lidos em conjunto, os três evangelhos oferecem uma visão completa que nenhum deles apresenta isoladamente.
"Havia ali, no monte, uma grande manada de porcos pastando." (Marcos 5:11)
O detalhe geográfico — "no monte" — ajuda a situar a cena e confirma a ambientação rural e aberta do episódio.
Levítico 11:7
"O porco, embora tenha o casco fendido e seja biungulado, não rumina; por isso é impuro para vocês."
Esse versículo fornece o fundamento legal judaico que torna a presença dos porcos tão significativa. A impureza ritualística dos animais não é um preconceito cultural qualquer — tem base na Lei dada a Moisés. Compreender esse pano de fundo é essencial para perceber o peso da cena que Mateus descreve.
Tiago 2:19
"Você crê que há um só Deus? Faz bem. Até os demônios creem nisso e tremem!"
Tiago articula em forma de princípio o que a narrativa de Mateus mostra em ação: os demônios reconhecem a autoridade de Deus — e isso não os salva. O conhecimento sem entrega produz apenas terror. Esse contraste é o coração do apelo que a passagem faz ao leitor.
10. Original Grego e Análise
Versículo em português: "A certa distância deles estava pastando uma grande manada de porcos."
Texto em grego (Mateus 8:30): ἦν δὲ μακρὰν ἀπ' αὐτῶν ἀγέλη χοίρων πολλῶν βοσκομένη.
Transliteração: ēn de makran ap' autōn agelē choirōn pollōn boskomenē.
Análise palavra por palavra:
ἦν (ēn) — "estava", terceira pessoa do singular do imperfeito do verbo eimi ("ser/estar"). O uso do imperfeito indica uma ação contínua no passado — a manada não havia chegado naquele momento; ela estava pastando há algum tempo, como parte da rotina normal do lugar. Esse detalhe temporal reforça o contraste entre a normalidade do cenário e a excepcionalidade dos eventos que estão ocorrendo.
μακρὰν (makran) — "longe", "a certa distância". Advérbio que indica afastamento espacial. No contexto narrativo, esse afastamento é importante: a manada está visível, mas não imediatamente envolvida na cena — ainda. A distância cria uma tensão narrativa: o leitor sabe que algo vai acontecer com aqueles animais, mas ainda não sabe o quê.
ἀπ' αὐτῶν (ap' autōn) — "deles", "longe deles". A preposição apo com genitivo indica separação a partir de um ponto de referência. O referente de autōn ("deles") remete aos homens possuídos e ao próprio Jesus — o grupo central da cena.
ἀγέλη (agelē) — "manada", "rebanho". O termo é específico para grupos de animais que pastam juntos. Não é simplesmente "porcos" — é uma manada organizada, um rebanho de porte, o que confirma a escala comercial da criação de animais naquele território.
χοίρων (choirōn) — "de porcos", genitivo plural de choiros. O termo grego choiros designa especificamente o porco doméstico. Na tradição judaica, essa palavra evocava imediatamente a impureza levítica. Para qualquer leitor judeu, a menção dos choiroi posicionava o cenário fora do território e dos costumes de Israel.
πολλῶν (pollōn) — "muitos", "grande quantidade de". Adjetivo no genitivo plural, modificando choirōn. Marcos detalha que eram cerca de dois mil animais. Esse número não é apenas um dado geográfico — ele dimensiona o impacto econômico da cena que se seguirá e confirma que a região sustentava uma atividade pecuária de grande escala.
βοσκομένη (boskomenē) — "pastando", particípio presente passivo de boskō ("apascentar", "alimentar"). O particípio presente indica ação contínua simultânea ao tempo da narrativa — enquanto o confronto entre Jesus e os demônios ocorria, a manada seguia pastando, completamente alheia ao que estava prestes a acontecer. Esse contraste entre a agitação espiritual da cena principal e a tranquilidade rotineira do rebanho ao fundo é um recurso narrativo deliberado de Mateus.
A análise do grego revela que Mateus construiu esse versículo com precisão: o imperfeito de ēn (ação contínua), o advérbio makran (distância visível mas não imediata), o substantivo específico choirōn (marcador cultural imediato de território gentílico), o adjetivo pollōn (escala significativa) e o particípio boskomenē (normalidade interrompível) formam juntos uma cena de contraste calculado — a rotina pacífica ao fundo, a crise espiritual em primeiro plano.
11. Conclusão
Mateus 8:30 é um versículo de transição — mas transições bem escritas carregam seu próprio significado. A imagem da grande manada de porcos pastando a certa distância não é um detalhe de preenchimento: é um elemento narrativo e teológico que prepara o leitor para o que está prestes a acontecer e que situa a cena em um contexto culturalmente carregado.
A presença dos porcos confirma o ambiente gentílico, reforça a tensão entre pureza e impureza que permeia todo o episódio, e anuncia que o milagre de Jesus terá consequências que vão além dos dois homens libertados — ele afetará a economia local, mobilizará a comunidade e gerará uma reação que os versículos seguintes narrarão.
Mais do que isso, a cena como um todo — Jesus em território gentílico, entre sepulcros, diante de homens possuídos, com uma manada de animais impuros ao fundo — é uma imagem da lógica do evangelho: o poder de Cristo não encontra limite na impureza, na distância cultural ou na marginalidade social. Ele vai até onde a necessidade está, e a sua presença transforma o ambiente, não o contrário.
Para o crente, esse cenário é ao mesmo tempo desafiador e encorajador. Desafiador porque questiona a tendência de definir zonas de conforto religiosas e deixar de fora o que parece impuro ou inconveniente. Encorajador porque confirma que nenhuma situação está fora do alcance de Jesus — nem as mais distantes, nem as mais degradadas, nem as que parecem mais irrecuperáveis.









